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11-11-2011

Vitaminas: Você tem que tomar

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Trinta por cento dos brasileiros de classes média e alta têm algum tipo de carência vitamínica

Dois bilhões dos cinco bilhões de habitantes no planeta têm deficiência de uma ou mais vitaminas. OK, a maioria dessa gente está no Terceiro Mundo e, no prato dos pobres, não faltam apenas vitaminas — falta comida mesmo, com todo tipo de nutriente. Mas o fato é que outro bilhão da população mundial padece da chamada fome oculta. 

O conceito se aplica a uma multidão que pode reclamar de barriga cheia: afinal, apesar de fazer as refeições normalmente, seu organismo funciona aos trancos e barrancos por falta de vitaminas. E essa falta não é alardeada pela sensação de estômago vazio. Eis o motivo de a fome ser oculta.

Será que os alimentos não são mais os mesmos que forneciam aos nossos avós tudo o que eles precisavam para viver? Não, não são. Mas, principalmente, nós não somos mais como nossos avós. O ritmo da vida moderna é um notório ladrão de nutrientes. Em primeiro lugar, porque quase ninguém tem tempo para fazer uma refeição como manda o figurino dos nutricionistas. Em segundo, porque o estressante corre-corre se traduz no corpo como uma descarga de hormônios que atrapalham — e muito — a ação das vitaminas. Sem contar outros hábitos que prejudicam essas substâncias. 

Um comprimido de aspirina faz com que a vitamina C de um suco de laranja tenha um prazo três vezes menor para agir, antes de ser eliminada pela urina. Outro exemplo: os componentes das pílulas anticoncepcionais aniquilam boa parte das moléculas de vitamina B disponíveis no sangue.

O pior é que as refeições do nosso dia-a-dia já são desvitaminadas. “A comida pode conter menos vitaminas do que prometem as tabelas nutricionais”, afirma o engenheiro de alimentos Cesar Romeu Araújo, da indústria farmacêutica Roche. “No Brasil, as pessoas preferem uma farinha de trigo branquinha e ela é puro amido”. As vitaminas B1 e B2, de que o trigo seria em tese uma boa fonte, vão se embora com a casca endurecida dos grãos.

Desde a II Guerra Mundial, de olho na saúde de seus soldados, os Estados Unidos passaram a devolver essas vitaminas perdidas à farinha, acrescentando-as depois da refinação. Na década de 50, a maioria dos países europeus copiou a idéia. No Brasil, até hoje, a farinha não é vitaminada.

“Parece justo repor as perdas”, diz a nutricionista Silvia Franciscato Cozzolino, professora da Universidade de São Paulo. “Mas, em vez de biscoitos e chocolates, os produtos vitaminados deveriam ser aqueles de grande consumo popular, como o arroz e o açúcar.” Os fabricantes alegam que isso afetaria o preço para o consumidor. “O aumento seria inferior a 1% nas gôndolas dos supermercados”, garante Cesar Araújo, da Roche.

Enquanto se discute, a gente pode estar passando fome — a fome oculta. E esta pode ser ainda mais agravada pelo processo de preparo das refeições.

Para a Organização Mundial da Saúde, o Haiti é aqui, como no verso cantado por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Pois, em matéria de falta de vitamina A, nós empatamos com os haitianos no primeiro lugar. Em certas regiões brasileiras, metade da população tem menos dessa vitamina do que seria adequado. A primeira conseqüência é a cegueira noturna: à noite, fica impossível enxergar direito. Porque, para formar imagens com nitidez, é necessário um pigmento, fabricado no fundo dos olhos, usando a vitamina A como matéria-prima. Se a deficiência se prolonga, a pessoa perde a visão.

“O irônico é que, no Norte e no Nordeste, onde a situação é mais grave, existem frutas típicas com alto teor dessa substância”, diz a nutricionista Eliete Salomon Tudisco, da Universidade Federal de São Paulo (ex-Escola Paulista de Medicina). “O jeito é ensinar as pessoas a procurar os alimentos certos.” Há quem diga, porém, que essa luta pela boa dieta é inglória. E não apenas por questões econômicas. Nos Estados Unidos, onde as pessoas comem até demais — é o país com o maior índice de obesidade do mundo —, não se come direito. 

Em cada cem americanos, 35 têm falta de vitaminas.

“Às vezes, os suplementos na forma de cápsulas são inevitáveis, como no caso de grávidas e pessoas sob regimes alimentares severos”, admite, cauteloso, Hélio Vanucchi, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, interior do Estado. Vanucchi é nutrólogo, ou seja, médico especializado em nutrição. Mas como será que ficam as pessoas com saúde normal, que confiam no almoço apressado do dia-a-dia? Elas também deveriam apelar para suplementos? “O melhor caminho é corrigir a dieta”, defende Vanucchi. “Se isso for impossível, as cápsulas sempre serão uma opção.”

A questão mais difícil, para o médico, é detectar quem está precisando de vitaminas extras — na maioria das vezes, é quem nem dá bola para o assunto. Calcula-se que, para cada caso de deficiência diagnosticado, existam outros nove na mesma situação, sem desconfiar. O problema é que entre um indivíduo sadio e um doente — com algum mal reconhecidamente causado pela ausência de vitaminas — existe uma larga faixa de pessoas com a chamada deficiência marginal. Elas têm vitamina de menos, mas não chegaram ao ponto de apresentar sinais de doença. Sentem coisas tão diversas como cansaço, falta de apetite e irritação constante. Sintomas que os médicos costumam rotular de estresse, sem ver neles uma causa física.

O organismo, nesses casos, é comparável a um carro com carburador sujo e motor mal regulado — até segue em frente, mas engasgando aqui, pifando acolá. Não é à toa. As vitaminas são dignas do nome dado, em 1911, pelo bioquímico polonês Casimir Funk (1884-1967). Vita, em latim, significa vida. Funk acertou: elas são imprescindíveis para várias reações químicas nos seres vivos. Na segunda metade da palavra, amina, Funk se precipitou um pouco: ele pensava que todas elas eram derivadas da amônia, o que não é verdade.

Aliás, divididas em solúveis em água e solúveis em óleo, as vitaminas não são nada parecidas umas com as outras. O único ponto em comum entre elas é que são fundamentais para o organismo em pequenas quantidades. “Há mais de cinqüenta delas, mas só treze são essenciais para o homem, ou pela sua importância ou pelo fato de seu corpo não conseguir produzi-las”, explica Vanucchi.

Infelizmente, está provado: de 2% a 5% do oxigênio que respiramos se transformam em radicais livres. 
Anarquistas do organismo, esses radicais reagem com tudo o que encontram pela frente para roubar um elétron.E a molécula roubada, então, também passa a ser um radical livre. “Só três substâncias podem quebrar essa cadeia destruidora”, conta o médico ortomolecular paulista Wagner Fiori. “Elas são a vitamina E, a vitamina C e o beta-caroteno, a matéria-prima da vitamina A.”

Por causa disso, os especialistas em Medicina Ortomolecular — área que trata da bioquímica do organismo humano — não se cansam de prescrever o trio. “De fato, vitaminas não são remédios. Mas seu uso contínuo pode evitar uma série de males”, garante Fiori. Essa idéia, que já provocou arrepios na comunidade científica, hoje encontra cada vez menos resistência.

“Estão surgindo diversas evidências de que essas três vitaminas protegem contra enfartes”, admite o médico Claude Lenfant, que dirige o Instituto Nacional do Coração, nos Estados Unidos. “Existe uma explicação: os radicais livres participam das reações que levam o colesterol a se acumular nas artérias.”

Na verdade, essas moléculas bandidas não se limitam a prejudicar o coração. Parece que por trás de todas as doenças degenerativas — e até mesmo do câncer — há uma pilha de estragos feitos pelos radicais livres ao longo da vida. A dúvida dos cientistas é até que ponto se devem aumentar as doses das vitaminas para combatê-los, sem correr riscos.

Quando o tema é nutrição, nada gera mais discussões do que as megadoses vitamínicas e seus efeitos contra doenças causadas pelos radicais livres. “Amanhã ou depois, pode ser que os benefícios dessas doses gigantes se confirmem”, diz a nutricionista Sílvia Cozzolino, da USP. “Por enquanto, quem decide tomá-las está servindo de cobaia.” Para dar um fim à polêmica, o Ministério da Saúde, na França, disparou um enorme projeto, orçado em 12 milhões de dólares, envolvendo 1 100 pesquisadores.

O Suvimax, como está sendo chamado, começou há exatamente um ano, quando os cientistas passaram a escolher voluntários num grupo de 100 000 indivíduos. “Pinçamos apenas 15 000 deles , entre 35 e 60 anos de idade”, explica o médico Serge Wecberg, em entrevista a SUPER. O cuidado com a seleção faz sentido. É difícil comparar os benefícios de um nutriente em cidadãos que levam uma vida completamente diferente entre si. “Se a gente dá vitamina para um executivo estressado, usando como base de comparação alguém que vive calmamente no campo, podemos chegar à conclusão distorcida de que tomar ou não tomar suplementos é indiferente”, diz Wecberg.

Este mês, a investigação dos franceses deve esquentar. A partir de agora, os voluntários vão tomar dia-riamente suplementos de vitamina C , E e beta-caroteno (matéria-prima da vitamina A). Isto é, só metade deles — o resto irá engolir comprimidos falsos. Essa rotina só será interrompida no ano 2003. É quando sairá o relatório sobre o que aconteceu com o organismo de uns e de outros durante esse período de nove anos.

Os consumidores não estão a fim de esperar todo esse tempo pela resposta. O mercado mundial de suplementos vitamínicos vem crescendo 8% ao ano — só nos Estados Unidos movimenta anualmente 4 bilhões de dólares. A mania gera alguns equívocos.

“Sem ouvir um médico ou um nutricionista, pode-se engolir uma vitamina de que o organismo não está precisando e deixar de lado outra, que realmente está fazendo falta”, alerta o professor Hélio Vanucchi, da USP. 

Com a ajuda de reagentes químicos, os exames de sangue apontam as deficiências de cada vitamina separadamente. Os médicos ortomoleculares, por sua vez, fazem um diagnóstico menos específico, com o microscópio.

Para os que compram vitaminas sem orientação, vale o alerta: o efeito de combinar diversos multivitamínicos por conta própria pode ser um tiro pela culatra. “Não adianta ingerir vitamina A, sem dispor de zinco no organismo”, exemplifica a nutricionista Sílvia Cozzolino. Se isso ocorre, a vitamina é absorvida no intestino e vai ser estocada no fígado — mas dali não passa. Isso porque, para viajar pelo corpo, sua molécula pega carona em outra — uma molécula de zinco — que por acaso esteja circulando nos vasos. Enfim, sem zinco, ter ou não ter vitamina A não faz diferença.

Muitas vezes, o consumidor escolhe certo. Mas erra na marca e paga caro por isso. É quando compra aquela “vitamina natural”, de preferência extraída de alguma fruta exótica, em vez de levar para casa uma versão sintética mais barata. “É uma bobagem”, ensina Vanucchi. “Sintética ou natural, o corpo vai reagir àquela molécula como sendo uma vitamina.”

Muitas vezes, os cientistas examinam estatísticas e percebem que o uso de certa vitamina diminui o risco de uma doença, mas não explicam os mecanismos dessa ação protetora. O que não invalida a primeira observação. E nem sequer significa que as vitaminas sejam um modismo. O Instituto Nacional do Saúde, nos Estados Unidos, revelou que o hábito de comer vegetais ricos em vitamina C diminui 13% o risco de enfartes. Agora, esse bom hábito à mesa somado a comprimidos da mesma vitamina faz a incidência despencar 37%. Não se sabe a dose extra exata para se obter esse efeito preventivo. Mas a dúvida não apaga o fato: 37% menos chance de se morrer do coração.

“O erro é achar que as pílulas substituam um almoço”, diz o nutrólogo Hélio Vanucchi. Nada substitui um prato cheio de gorduras, carboidratos e proteínas (os únicos nutrientes que fornecem energia). Mas até os cientistas mais ortodoxos, contrários às megadoses, admitem que os suplementos são úteis em alguns casos.

“Quem não precisa das megadoses por doenças também deve avaliar a sua nutrição”, diz o médico Wagner Fiori. “E, se for o caso, tomar suplementos apenas para manter a dosagem normal.” 

Entre os consumidores certamente devem estar os fãs de produtos diet, já que eles quase não contêm as vitaminas A, D, E, e K . A poluição, por sua vez, aumenta a produção de radicais livres nos moradores dos centros urbanos, que já vivem sob estresse. A maioria não pode escapar dos suplementos.

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